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 a Carta de Suicídio.

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personnalD.

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MensagemAssunto: a Carta de Suicídio.   Qua Jul 02, 2008 3:48 pm

a Carta de Suicídio.





A vida nunca foi fácil para mim. Acho que sou daquelas pessoas que Deus (ou seja lá quem foi) viu nascer e decidiu que nunca teria nada de bom.

Não sei quem o fez ou porque o fez, mas seja lá como foi, aconteceu mesmo.

(…)



- Marlene, não consegues esquecer tudo, simplesmente?...

- Depois de tanto tempo, pedes-me para esquecer?! – dou-me por mim a gritar tão alto. Com as lágrimas teimosas que faziam os meus olhos brilhar.

- O que queres que faça?! – pergunta-me ele, virando-me as costas. – Que sorria e finja que ainda sinto alguma coisa por ti?! – e foi-se embora, furioso.

- Foi sempre isso que fizeste… - digo, mas ele já estava demasiado longe para sequer ouvir o pequeno som da minha voz… Abafada pelas lágrimas que já se haviam libertado.

(…)



Mas não; o facto de ter perdido uma das pessoas mais importantes da minha vida num simples segundo é apenas uma das muitas razões porque irei fazer isto.

Se me perguntassem se eu era feliz há uma semana, eu responderia que «não»; se me perguntassem se eu era feliz no ano passado, eu responderia que «não»; aliás, se me perguntassem se eu era feliz ao longe de toda a minha vida (até aqui), eu responderia sempre e simplesmente:

«Não…»

(…)



- E vais embora assim?... – suspiro. – Sem mais nem menos?

- Marlene, és a minha melhor amiga… - ouço ela a dizer-me. – Mas eu avisei-te que mais tarde ou mais cedo, isto iria acontecer. – e pausa as suas palavras. – É o percurso da vida. Estamos todos presos numa caixa e só queremos sair… - dá-me um beijo na bochecha. – Os que merecem, saem. – e olha-se ao espelho junto à porta do meu quarto. – E os que não merecem, ficam. – e olha para mim sorrindo friamente.

Fechou a porta, fazendo a cortina da minha janela levantar. Descobrindo o escuro do meu quarto, descobrindo o meu sorriso que desvaneceu e descobrindo uma amizade que não era tanto verdadeira como parecia…

(…)



Já sentiram a sensação de perder alguém tão especial, ao ponto de deixar de se sentir completamente inteiro? O facto de uma grande amizade que construímos num enorme período de tempo, que consegue facilmente desaparecer num simples e curto segundo?

(…)



Ele guia-me até ao seu quarto. Estou pousada no seu colo e percorro o seu pescoço e os seus lábios com beijos ardentes. Não páro, não quero parar. Ele abre a porta e empurra-me desajeitadamente para a cama, fazendo-me saltar como fazia em criança.

- Are you ready? – pergunta-me de voz provocante, ao qual lhe respondo puxando-o para cima de mim.

Começo a despir a sua camisa e ele a minha; ele despe, com dificuldade, as minhas calças justas às pernas magras e eu dispo as suas jeans de ganga. Semi-nus, dançamos sobre a cama do seu pequeno quarto. Sento-me sobre ele enquanto toco na superfície por detrás das suas boxers e ele geme. Ao ouvir o seu gemido enlouqueço, tirando o meu soutien sensualmente.

- More than ready. – respondo, mordendo a sua língua, desejando-o. Começo a beijar-lhe o umbigo e começo a descer lentamente. Já sentia a sua mão entre os meus cabelos fazendo-me baixar até ficar com os lábios encostados ao seu membro erecto.

(…)



Já ouviram falar naqueles momentos mesmo muito pequeninos, onde não conseguimos pensar nos nossos problemas? Aqueles momentos onde nos esquecemos que a nossa vida está completamente confusa e errada… Aqueles momentos que correspondem a simples segundos que aparecem subitamente, e desaparecem subitamente.

Aqueles momentos em que temos esperanças que tudo se mantenha assim.

Mas não passam disso – esperanças.

(…)



Saltos violentos fazem a cama chiar. Para cima e para baixo; um movimento que se instaurou no quarto, simultaneamente acompanhado com gemidos de prazer e beijos que jamais cessam. As gotas de suor escorrem sem parar, desenhando inúmeros traços em ambos os corpos que se embrulham um por cima do outro… Numa dança espontânea com uma coreografia tão perfeita e tão desejável.

- Love, – chamo, ao abrir a porta. – Já estás pronto para…

Ao som da minha voz, aqueles dois amantes saltaram da cama e interromperam o que antes estavam a fazer.

- Isto…Isto… - gaguejava a minha “amiga” entre aspas, enquanto tapava o seu corpo nu com um lençol, afastando-se do meu namorado igualmente despido. – Não é o que parece, Marlene!

- Ela tinha vindo cá só para… Perguntar-me umas cenas sobre o trabalho de… - desculpava-se o meu namorado, coçando a cabeça, algo que faz quando mente.

«Será que ela ao menos sabe isso sobre ele?... Eu sei. E de que me valeu isso?»

- Nada… - respondo alto aos meus pensamentos, saindo daquele cubículo com demasiada pressão de pensamentos, de olhares e de mentiras.

(…)



Sempre senti que todo o mal do Universo estava concentrado em mim. Sempre me disseram que estava a exagerar mas… Estaria? Tudo o que poderia correr mal, corria. Tudo o que podia acontecer, acontecia.

Até que chegou ao momento que me perguntei se valia mesmo a pena… Valia a pena sofrer durante tanto tempo, para depois, no fim, não se ganhar absolutamente nada?

Valia a pena dar confiança às pessoas, tratá-las por amigas, apaixonar-me, para depois no fim acabar por ser magoada? Rejeitada? Abandonada?

Para quê tanto trabalho para no fim acabar sozinha?

(…)



- Marlene… - vira-se para mim, a minha querida mãe. – O pai foi embora. – disse-me, tinha eu apenas 7 aninhos. Lembro-me da sua cara repleta de lágrimas e soluçava imenso. – E ele não vai voltar nunca mais. – e fungou.

- Mas ele não disse «adeus»! – afirmei, de tão inocente que era, na altura.

- Filha… - pausou. – Agora já é tarde de mais.

(…)



Gosto de pensar que a vida é como andar de baloiço. Passamos a nossa vida a vaguear entre balanços e balanços. Por vezes, quando nos sentimos no topo, sorrimos e rimos ao céu azul que nos invade o olhar. Por vezes, quando estamos por baixo, apenas conseguimos mirar o chão.

Até que chega a altura que temos de dar um salto; temos de abandonar aquela rotina de balanços para cima e para baixo. Temos de mudar de ar, mudar de baloiço.

O problema é que o salto pode nem sempre alcançar o céu, fazendo-nos cair em terra. Há quem caia capaz e com forças para se levantar e tentar de novo.

E depois há as pessoas como eu…

(…)



- Como assim «Não vou para a Universidade»?! – grito para a minha mãe, na cozinha.

- Eu já te tinha dito que as hipóteses de ires para a universidade eram baixíssimas, Marlene! – gritou-me de volta. – Pára de fazer um drama por tudo e por nada. Já devias estar mais que ciente que é assim que as coisas funcionam. – pausou. – A vida não é aquilo que queremos, mas sim aquilo que merecemos.

- E eu não mereço ter um futuro, é mãe?! – estava furiosa e os meus olhos encontravam-se completamente renegados e ferventes.

Ela pareceu ignorar a minha constatação, suspirando sofregamente.

- Há tanta gente que gostava de ter a vida que levas, Marlene… - afirmou ela.

Reflecti durante uns segundos, enquanto me concentrava exactamente na fechadura da porta. Tentava imaginar tudo o que estaria do outro lado: um futuro. Mas como seria?

Será que sequer existiria?

- Vida? – perguntei. – Mas que vida?

Peguei no casaco e saí de casa, abrindo a porta contemplando a paisagem de lá de fora: chovia imenso e o céu cinzento escuro ocupava todo o céu. O vento fazia-me recuar, por mais que eu me esforçava para avançar.

- Assim será o meu futuro.

(…)



Depois de tanto ler, acho que tenho as razões suficientes para querer fazer isto.

Talvez seja assim que as coisas funcionem: há pessoas que merecem sair desta caixa, e outras não; há pessoas que conseguem levantar-se do chão, e outras não e há pessoas que têm um futuro, e outras não.

Ao contrário de muitas pessoas, eu sei admitir que não estou aqui a fazer absolutamente nada. Aliás, toda a minha vida é prova disso. Toda a minha vida prova que fui feita exactamente para duas coisas: sofrer e morrer.

E digo, com orgulho, que irei desempenhar muito bem exactamente essas duas coisas.

Talvez, daqui a muitos anos, as pessoas lerão e relerão esta carta inúmeras vezes sem conta e irão perguntar-se «Porque é que ninguém a impediu?»; «Porque é que ninguém fez nada?»; «Porque é que todos a deixaram sozinha quando precisava?»

Então, antes de acabar esta carta e a minha história, irei responder-vos a essas mesmas perguntas:

- Não faço ideia…
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Vikii
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MensagemAssunto: Re: a Carta de Suicídio.   Qui Jul 03, 2008 4:43 pm

Citação :
Gosto de pensar que a vida é como andar de baloiço. Passamos a nossa vida a vaguear entre balanços e balanços. Por vezes, quando nos sentimos no topo, sorrimos e rimos ao céu azul que nos invade o olhar. Por vezes, quando estamos por baixo, apenas conseguimos mirar o chão.

Até que chega a altura que temos de dar um salto; temos de abandonar aquela rotina de balanços para cima e para baixo. Temos de mudar de ar, mudar de baloiço.

O problema é que o salto pode nem sempre alcançar o céu, fazendo-nos cair em terra. Há quem caia capaz e com forças para se levantar e tentar de novo.


Admiro imenso a tua maneira de pensar nas coisas.
Podes nem pensar assim e teres feito isso apenas para a fic, mas gosto dessas tuas teorias. (:

Citação :

Talvez, daqui a muitos anos, as pessoas lerão e relerão esta carta inúmeras vezes sem conta e irão perguntar-se «Porque é que ninguém a impediu?»; «Porque é que ninguém fez nada?»; «Porque é que todos a deixaram sozinha quando precisava?»

Então, antes de acabar esta carta e a minha história, irei responder-vos a essas mesmas perguntas:

- Não faço ideia…

Nesta parte fiquei uma espécie de..
Pronto fiquei coisa. --'
E gostei. *-*

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therina

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MensagemAssunto: Re: a Carta de Suicídio.   Ter Jul 22, 2008 2:00 pm

adorei ;D

continua ;;D
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